Terra dos Papagaios
Wednesday, April 18, 2012
O comedor de grilos.
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Tuesday, April 17, 2012
serradacapivara.com
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Saturday, April 14, 2012
Wednesday, April 11, 2012
Tuesday, April 10, 2012
Thursday, April 05, 2012
Wednesday, April 04, 2012
Tuesday, April 03, 2012
Monday, April 02, 2012
Thursday, March 29, 2012
Iracema da Silva.
Dá para baixar o desenho e imprimir num papel mais grosso que o normal, 90 gramas.
Iracema passeando.
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Wednesday, March 28, 2012
Tuesday, March 27, 2012
Piralhos.
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Monday, March 26, 2012
Sunday, March 25, 2012
Friday, March 23, 2012
É tão bom ter o retorno dos leitores sobre o conjunto do trabalho de edição!
"Existem livros capazes de abordar a questão da negritude preservando
de modo surpreendente a preocupação com a abertura semântica e interpretativa da obra. Neste trabalho, será apresentado apenas um exemplo bastante característico dessa tendência, a saber, o livro Controle remoto (livro 8), escrito por Florentino Alves de Freitas em 2009 e ilustrado por Mariana Massarani. Já o formato diferenciado do livro, bem como a disposição do texto e das ilustrações nas páginas, apontam para uma preocupação estética acentuada. O verdadeiro conflito narrativo – que gera as ações do desenvolvimento – não é o fato de se tratar de uma família de negros (o que é percebido apenas pelas ilustrações), mas sim, o fato de a cegonha ter trazido um bebê acompanhado de um controle remoto: “Só quando a cegonha partiu, o homem e a mulher perceberam que na cesta, além do bebê, da chupeta e das fraldas descartáveis, havia um controle remoto” (p. 5)
A ideia do controle remoto é incorporada organicamente na forma do próprio livro, não apenas pelo seu formato retangular e a textura sólida da capa – que lembra um controle remoto – como também pelos vários detalhes visuais construídos tanto no texto verbal quanto nas ilustrações. Essa construção revela um grande cuidado com o aspecto estético-literário, que acaba se sobrepondo ao aspecto propriamente pedagógico, ligado à diferença/negritude. Cada texto de página termina com uma seta que lembra os comandos de um controle remoto, sendo que a numeração das páginas também está feita com esse recurso da seta. O efeito gerado no leitor é que, para virar a página, seria necessário pressionar a seta, assim como se faz com um controle remoto, o que pode ser considerado um recurso bastante original. Além disso, todas as palavras ligadas ao controle remoto (como stop, help, alarm, etc), quando aparecem no texto, estão sempre destacadas por sombreamento, o que também lembra, de certa forma, a estética visual de aparelhos dependentes de controle remoto, como a televisão ou a tela de computador.
Essa iteração semântica em torno da ideia do controle é um recurso que aumenta muito
a literariedade e o valor estético do texto, pois, além de ser sugestiva, é construída a partir de um diálogo com o próprio texto verbal. Ao longo da narrativa, o leitor descobre que o menino é completamente controlado pelos pais, que só precisam apertar algum botão para conseguirem a respectiva reação: “Pena que, muitas vezes, no melhor da brincadeira, os adultos pressionavam a tecla STOP, que o menino detestava, pois significava PARA TUDO AGORA. Como sempre, ele obedecia ao comando e guardava os brinquedos sem reclamar” (p. 15)
O enredo segue de forma aparentemente repetitiva e redundante, pois a maior parte das ações realizadas são comandos dados pelos pais, a partir do controle remoto, e a respectiva reação da criança, sempre obedecendo a tais comandos: “O controle remoto se tornou indispensável ao casal. Quando eles saíam para trabalhar, era o aparelho que os ajudava a manter o menino comportado e em segurança. Era só ligar a tevê no canal de desenhos animados e apertar o pause que o menino passava o dia no sofá.” (p. 19) Contudo, é exatamente através dessa aparente simplicidade da trama que surge a temática de fundo na narrativa, jamais realmente explicitada, apenas sugerida. Por isso mesmo, pode ser interpretada polissemicamente, de mais de uma maneira, talvez como uma crítica a qualquer comportamento padronizado, uma crítica à concepção pedagógica behaviorista, o elogio da individualidade, a necessidade de desenvolver relações afetivas, entre várias outras.
No final da narrativa, o leitor é surpreendido com um desfecho revestido de humor. Quando o controle remoto passa a não funcionar mais como era de costume, os pais vão pedir auxílio a um “técnico”, que chega à seguinte conclusão: “Logo veio o diagnóstico: — CONTROLERREMOTITE AGUDA. Vocês abusaram no uso do aparelho. Nesses casos, a única solução é jogar o controle fora, começar a ouvir as vontades do menino e conversar com ele.” (p. 37)
Como se percebe, esse livro, assim como alguns outros, dilui a temática da negritude e da diversidade na abertura estética propiciada por qualquer obra construída com fins mais literários do que pedagógicos. Na medida em que essa tendência consegue salvaguardar a preocupação com a literariedade e o valor estético, é capaz de apresentar a questão da negritude a partir de efeitos polissêmicos e autorreferenciais, jamais fechando os sentidos do texto de forma unívoca, baseada em um ensinamento estritamente pedagógico. Nesse sentido, o leitor é convidado a pensar sobre a questão da diferença sem ser coagido por uma visão única e monológica, mesmo que se trate de uma visão politicamente correta. A questão da diferença, portanto, se dilui no estético. Um dos possíveis efeitos sobre o receptor, talvez, seja simplesmente o encantamento característico de toda obra construída para ser fruída esteticamente."
Rosa Maria Hessel Silveira – UFRGS
rosamhs@terra.com.br
Edgar Roberto Kirchof – ULBRA
ekirchof@uol.com.br
Iara Tatiana Bonin – ULBRA
iara.bonin@uol.com.br
in: A DIFERENÇA LIGADA À ETNIA EM LIVROS BRASILEIROS PARA CRIANÇAS - ANÁLISE DE TRÊS TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS
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